O Condicionamento Mental, Psicológico e Social em A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga

 

 

Estamos certos que um dos principais temas desta obra romanesca é o título deste artigo, pois os leitores amigos podem observar ao lê-la. A autora nos mostra como este condicionamento brota da estrutura da sociedade e é como o cimento na construção de um edifício dando uniformidade e, também, a diversidade nos papéis das personagens, tendo cada uma, um papel na criação literária, como acontece na sociedade humana. Assim, neste romance, a criança, o adulto, o jovem, o idoso, o homem e a mulher surgem dotados de sua forma de pensar, de agir, de se vestir, etc. Nos revela, por exemplo, na análise, como a personagem Raquel, uma criança do sexo feminino, tem o desejo de crescer, de ser um menino e ser escritora para “escapar”do papel que a sociedade lhe incutiu ocupar. No final ela, através da observação dos fatos e reflexão, ela consegue se descondicionar e vai brincar com pipa, considerado como lazer de guri.

A crítica ao condicionamento mental, psicológico e social aparece, também, através da observação da trajetória dos dois galos, Afonso e Terrível. Ao primeiro a sociedade e a natureza colocaram na função de líder de um galinheiro para tomar conta das galinhas, decidindo em tudo. Ele bem pode simbolizar o homem e seu papel na sociedade humana. Neste romance ele foi o primeiro a se rebelar ao condicionamento que lhe foi imposto, foge e, depois de algum tempo, começa a procurar uma idéia para lutar por ela e descobre, então, que a sua luta deve se travar contra o condicionamento.Ao outro galo, o Terrível, o papel reservado pela sociedade é de brigar, de ganhar dos outros, o que nos remete a idéia dominante na sociedade capitalista atual de vencer sempre por bens materiais, nem que seja pisando nos outros. Haviam até “costurado” o pensamento de Terrível para só pensar em brigar e em vencer. Ele bem pode simbolizar o que acontece com os seres humanos depois de sofrerem os condicionamentos mentais, psicológicos e sociais que a sociedade, a família, a escola, os meios de comunicação exercem sobre o indivíduo para que aceitem a forma de pensar e de agir aos dominados e excluídos, estes, inclusive, aparecem simbolizados no guarda-chuva, como um objeto, pois a sociedade em vigor assim considera o ser humano: coisificado, que se compra, que se vende e que manipula.

A autora nos mostra no capítulo “A casa dos consertos” como poderia ser uma sociedade descondicionada: Não baseada na decisão de uma pessoa, mas coletiva, não havendo concentração de poder, funções transitórias, não havendo distinção na atividade profissional de sexo, cargo ou idade.

Professora Josiane Grolli

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